Resenha do artigo de Giovanetti


“O existir humano na obra de Ludwig Binswanger “


Inicialmente, conceitua-se que Ludwig Bisnwanger foi um psiquiatra que pretendeu dar a Psiquiatria um estatuto científico, com um aporte filosófico, para colocá-la em plano no qual deveria ser melhor definida, em busca de uma unidade que juntasse a questão prática com uma ciência elaborada.
As ideias de Binswanger são mais conhecidas no meio psiquiátrico e o texto estudado foi dividido em duas partes: a primeira fala da análise de sua obra, e a segunda parte dispõe sobre os pontos fortes de sua antropologia fenomenológica, cerne de toda a ciência que criou, no caso, a Daseinsanalyse.
Giovanetti assinala que o interesse inicial do autor foi a Filosofia, com a leitura da obra kantiana e o convívio com a literatura de Heidegger e Husserl.
   Ao explicitar a Fenomenologia em textos de sua autoria, interessou-se também pela Psicanálise, almejando construir uma Psiquiatria científica.
Acredita-se que as questões principais   nessa descoberta seriam: Como desenvolvem-se as doenças mentais, quais são as suas origens?
Para descobrir as respostas, o autor, buscando a aproximação com uma psiquiatria científica baseou-se em três caminhos.
O primeiro a ser cogitado foi o método naturalista colocando a anormalidade cerebral ligada a questão orgânica, o adoecer do cérebro ligado a um processo biológico determinado.
O segundo aporte se localiza na explicação psicobiológica que a personalidade não controla: ela ocorre sobre um aspecto sindrômico.
O terceiro caminho é explicação da doença sobre a transformação da personalidade, ligada a construções vivenciadas na história de vida de pessoa, tendo assim um aporte sócio histórico.
Todas essas elaborações sobre a etiologia do adoecer humano não coloca a dimensão psicopatológica com uma base de subjetividade, da singularidade do sujeito.
A Psicanálise colaborou com o as ideias do autor, pois ao encontrar-se com Freud em 1907, em Viena, aderiu a essa Ciência, considerando-a, num primeiro momento como um fundamento necessário a cientificidade da Psiquiatria que tanto buscara.
Porém, a medida que conhecia a fundamentação teórica psicanalítica, observou que não poderia unir as descobertas freudianas com toda a base psiquiátrica científica.
A ruptura da área científica não sacrificou as relações de amizade que tinha com Sigmund Freud, e ainda manteve uma abertura para as construções psicanalíticas, mesmo não podendo utiliza-las na sua construção teórica da sua Psiquiatria inovada.
Posteriormente, em Heidegger, construiu a base para a Fenomenologia ontológica, fundamentando-se em dois livros do autor, Sen und Zeit e Von Wesen des Grundes, a partir da analítica do Dasein.
Nesse campo de estudo encontrou as bases para a dimensão que estava estudando: para o autor, as dimensões constitucionais humanas estariam bem explicitadas ao estudo do dasein (ser no mundo) e no cuidado (sorge).
Binswanger almejava colocar na Psiquiatria outras formas de olhar o ser humano, além do aporte biológico, enfocando a reflexão da existência humana com outras bases.
A partir daí diversos tipos de Psicopatologia começaram a ser analisados sobre uma perspectiva fenomenológica, dando a elas uma base metodológica e objetiva.
A estruturação de uma nova base psiquiátrica deveria considerar a análise global do ser humano. O ponto focal não seria o delírio, mas o homem que delira, considerando uma análise existencial calcada em uma existência mais profunda da essência e da origem dos sintomas psicopatológicos. Assim, o Psiquiatra estaria mais próximo a uma comunicação efetiva com os seus pacientes.
As análises de Binswanger ainda estavam fundamentadas na base antropológica, mesmo que fundamentado em Heidegger, cuja base de análise ontológica, que tanto inspirava o autor citado.
Os principais eixos da análise do autor foram assim explicitados: a dualidade, a pluralidade e a singularidade.
As maneiras nas quais se manifestavam o conjunto de formas que fundamentam o ser no mundo são compreendidos antropologicamente.
A dualidade estaria concentrada no amor e a amizade, que são relações originais primárias complementando-se com reciprocidade, baseadas no Encontro entre dois seres.
A modalidade plural é a força opositora do Eu e o Tu, que vai ser captado nas relações de soma, cujo encontro origina o princípio da Discursividade.
Essa Interface se baseia como elemento organizador na relação de seres humanos.
Ainda dentro desse contexto, ao analisar-se a singularidade, observa-se que cada ser tem uma postura própria no mundo e retornando as fontes da Ciência que pareceu inadequada, Giovanetti termina o seu artigo dizendo que esse mundo singular só pode ser analisado pela Psicanálise, como método científico empírico.

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